Itaú BBA - Cenário fiscal se deteriora

Conjuntura Macro

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Cenário fiscal se deteriora

Agosto 3, 2015

O governo reduziu significativamente as metas de superávit primário, e a agência de classificação de risco S&P diminuiu a perspectiva de estável para negativa.

A economia brasileira em julho de 2015

O governo reduziu significativamente as metas de superávit primário, e a agência de classificação de risco Standard & Poor’s diminuiu a perspectiva para o Brasil de estável para negativa. Os ativos brasileiros se desvalorizaram durante o mês. Projeto para regularização de recursos no exterior está nos planos do governo. A inflação atingiu 9,25% e o Banco Central (BC) elevou a taxa de juros novamente, mas indicou que o ciclo de altas terminou. O déficit em conta corrente recuou na primeira metade de 2015. A confiança dos empresários e consumidores permaneceu baixa, e a taxa de desemprego segue em alta. As investigações da Operação Lava Jato prosseguem e, agora, alcançam o setor elétrico.

Governo faz redução significativa nas metas de superávit primário

O governo anunciou uma redução nas suas metas de superávit primário para 0,15% do PIB este ano (de 1,1%) e para 0,7% em 2016 (de 2,0%). A redução nas metas evidencia o impacto da queda na atividade econômica na arrecadação e as dificuldades de implementação do ajuste fiscal. O Ministério do Planejamento anunciou ainda que qualquer frustração na estimativa de receitas extraordinárias (R$ 26,4 bilhões) poderá ser abatida da meta fiscal de 2015, o que significa que o superávit primário pode alcançar -0,3% do PIB.

S&P diminuiu a perspectiva para dívida do Brasil de estável para negativa

A classificação do Brasil foi mantida em um nível acima do grau de investimento. A agência disse que a revisão foi causada por “mudanças materiais” no cenário desde março último, quando a perspectiva do país havia sido definida como “estável”. Na apresentação que realizou para explicar sua decisão, a S&P argumentou que as metas fiscais para o curto prazo (2015, 2016) são insuficientes, mas que uma melhora nos anos posteriores é esperada.

Ativos brasileiros se desvalorizam substancialmente

O risco-país medido pelo CDS de 5 anos teve aumento de 33 pontos-base, e terminou o mês em 293. A taxa de câmbio fechou o mês em 3,39 reais por dólar, uma depreciação de 9,4%. O Ibovespa também caiu no mês: 4,2% em reais e 12,4% em dólares.

Projeto de regularização de recursos nos planos do governo

O governo brasileiro tem discutido com o Congresso a aprovação de medidas que regularizem recursos não declarados mantidos por brasileiros no exterior. Ao serem regularizados, impostos seriam pagos sobre esses recursos, o que contribuiria ao esforço de ajuste fiscal em curso e às compensações necessárias à reforma tributária do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

IPCA-15 atinge 9,25% em 12 meses

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) registrou 0,59% em julho, um pouco abaixo da nossa projeção e da mediana das expectativas de mercado. Com esse resultado, a taxa em 12 meses do índice atingiu 9,25%, o maior nível desde dezembro de 2003. As maiores contribuições de alta no mês vieram dos grupos habitação, alimentação e bebidas, despesas pessoais e saúde e cuidados pessoais.

Copom eleva a taxa de juros mais uma vez e indica que é a última 

O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (Copom) elevou novamente a taxa Selic em 0,50 ponto percentual, para 14,25%. A decisão foi unânime e não surpreendeu, dadas as últimas declarações de membros do Copom. A novidade foi o comunicado que acompanhou a decisão, que sinalizou claramente a intenção do Copom de encerrar o ciclo de alta de juros e manter a taxa Selic em 14,25% por um tempo prolongado. O Copom manteve alguma pequena flexibilidade no comunicado, ao afirmar que a manutenção da taxa Selic é "necessária" para a convergência da inflação para a meta. Como a conjuntura econômica segue volátil, o que é "necessário" pode não ser suficiente (caso, por exemplo, a taxa de câmbio continuar a se depreciar e ameaçar o alcance da meta de inflação).

Déficit em conta corrente recua na primeira metade de 2015

O déficit em conta corrente no mês de junho somou US$ 2,5 bilhões, um pouco acima da nossa projeção (US$ 2,3 bi) e do consenso do mercado (US$ 2,1 bi). O déficit também foi menor do que o registrado no mesmo mês do ano passado (US$ 5,1 bi). Quanto ao financiamento, apesar do investimento direto no País ter surpreendido para cima no mês, tanto os fluxos de investimento direto quanto em carteira seguem recuando nos últimos 12 meses.

Confiança da indústria tem leve alta em julho, e a do consumidor segue em queda

Segundo a sondagem empresarial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o índice de confiança do empresário industrial subiu 1,5% em julho. Apesar da melhora no mês, o índice permanece perto das mínimas históricas, sugerindo que a atividade industrial seguirá contida à frente. Do lado do consumidor, o indicador da FGV mostrou uma queda de 2,3% no mês e atingiu o novo mínimo histórico. A intenção de compras de bens duráveis recuou 3,4%, alcançando o menor nível desde outubro de 2005.

Taxa de desemprego volta a subir em junho

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego atingiu 6,9% em junho, em linha com as expectativas de mercado e um pouco abaixo da nossa projeção (7,1%). Com ajuste sazonal, a taxa aumentou de 6,3% em maio para 6,4% em junho. A massa salarial real permanece fraca e está 4,1% abaixo do nível do mesmo mês no ano anterior.

Investigações da Lava Jato prosseguem

Novas etapas da Operação Lava Jato ocorreram, com prisões, denúncias e acordos de colaboração premiada. As investigações, que começaram no setor de petróleo, agora alcançam o setor elétrico.

Próximos eventos

A tramitação de medidas de ajuste fiscal, após o fim do recesso no Congresso, permanecerá no foco das atenções. A continuação da Operação Lava Jato também será importante, especialmente pelas repercussões políticas. A eleição para procurador-geral da República tem início  no dia 5. Está marcada uma passeata de protesto para o dia 16.



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