Itaú BBA - Banco Central sinaliza cortes de juros maiores à frente

Conjuntura Macro

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Banco Central sinaliza cortes de juros maiores à frente

Abril 3, 2017

A autoridade indica a possibilidade de uma intensificação "moderada" do ritmo de flexibilização da política monetária.

A economia brasileira em março de 2017

O Banco Central indica que a atual conjuntura e o cenário de desinflação mais difundida fortalecem a possibilidade de uma intensificação "moderada" do ritmo de flexibilização da política monetária. O relator da reforma da Previdência sinaliza que alguns pontos da proposta original enviada pelo governo são suscetíveis a mudanças. O governo anunciou um contingenciamento de gastos de R$ 42 bilhões para atingir a meta fiscal de 2017. O Conselho Monetário Nacional reduziu a Taxa de Juros de Longo Prazo de 7,5% para 7% no 2º trimestre de 2017, mas anunciou uma reforma que fará com que a TJLP flutue em linha com as taxas de mercado a partir de 2018. O Produto Interno Bruto teve nova queda no quarto trimestre de 2016, mas há sinais de retomada este ano.

BC sinaliza aceleração no ritmo de corte de juros

O Relatório de Inflação do primeiro trimestre (RI) do Banco Central indica que a atual conjuntura e o cenário de desinflação mais difundida fortalecem a possibilidade de uma intensificação "moderada" do ritmo de flexibilização da política monetária. As projeções de inflação para 2017 estão abaixo da meta nos quatro cenários apresentados pela autoridade. As projeções para 2018, que seguem ganhando cada vez mais foco nas discussões do Copom, estão na meta ou ligeiramente abaixo nos cenários que incorporam as expectativas de mercado para a taxa de juros. Em nossa visão, esta é uma mensagem chave do relatório: o ciclo de flexibilização que leva a taxa de juros para o cenário de mercado (especificamente, 9,0% no fim de 2017 e 8,5% no fim de 2018 no dia em que o RI foi publicado) não é inconsistente com o alcance da meta de inflação. Com isso, mantemos nossa expectativa de redução da taxa Selic em um ponto percentual na próxima reunião do Copom de abril.

Relator da reforma da previdência indica mudanças no texto original

O relator da reforma da Previdência que tramita atualmente no Congresso, Arthur Maia, sinaliza que alguns pontos da reforma original enviada pelo governo são suscetíveis a mudanças. Entre as questões mais discutidas estão a aposentadoria rural, as regras de transição, o não-acúmulo de pensões e aposentadorias, os benefícios de prestação continuada da assistência social (BPC) e as aposentadorias especiais. Uma questão relevante, porém indefinida, é a exclusão dos servidores estaduais e municipais da reforma da Previdência. A exclusão destes servidores não impacta as contas do governo federal, mas enfraquece um dos pontos principais da reforma, que busca instituir um regime universal para todos os brasileiros. Está em estudo a possibilidade de incluir na reforma uma emenda que estabeleceria um prazo de 6 meses para estados e municípios também implementarem reformas nos regimes próprios de previdência. O parecer do relator está previsto para ser divulgado em abril, com a votação em 1º turno no plenário da Câmara ocorrendo ainda no primeiro semestre do ano.

Governo anuncia contingenciamento de R$ 42 bilhões

A necessidade fiscal de R$ 58 bilhões para o cumprimento da meta do resultado primário de 2017 (déficit de R$ 139 bilhões) levou o governo a anunciar um contingenciamento de R$ 42 bilhões.  Além deste corte de gasto, o governo adicionou R$ 10 bilhões em receitas referentes ao leilão de quatro hidrelétricas, R$ 5 bilhões referentes à reoneração da folha de pagamentos para diversos setores da economia, e R$ 1 bilhão pela retirada da isenção de IOF sobre as cooperativas de crédito. A reoneração da folha de pagamentos excluirá os setores mais intensivos em mão-de-obra (transporte coletivo, construção civil e comunicação) e será enviada via medida provisória ao Congresso, devendo respeitar a o período de noventa dias para ter impactos na receita. Já o aumento do IOF será feito por decreto, com efeito imediato. De acordo com o anúncio, o contingenciamento ainda pode ser diminuído nos próximos bimestres em até R$ 8,7 bilhões, caso haja decisões judiciais favoráveis ao governo sobre receitas extraordinárias.

CMN reduz TJLP para 7% no 2º trimestre de 2017, mas anuncia reforma para reduzir o crédito subsidiado na economia

O Conselho Monetário Nacional decidiu por reduzir a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 7,5% para 7,0%, percentual que vai vigorar para o segundo trimestre de 2017. A decisão sobre a TJLP, que baliza os empréstimos do BNDES para o próximo trimestre, veio acompanhada do anúncio de um novo cálculo para a taxa,que terá variação mensal com base na estrutura a termo dos títulos públicos NTN-B de cinco anos. A atual TJLP continuará valendo para o estoque de crédito já concedido e para as novas operações concedidas até o fim de 2017. A nova taxa, intitulada “TLP”, será implementada para as operações contratadas a partir de 1º janeiro de 2018. A TLP partirá do mesmo patamar da TJLP vigente nessa data, e irá convergir para NTN-B gradualmente em um período de cinco anos, de forma linear.

Polícia Federal revela operação de venda ilegal de carnes

A Polícia Federal deflagrou uma operação para combater a venda ilegal de carnes, com o objetivo de desarticular organização criminosa entre fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio. A notícia repercutiu tanto no âmbito interno quanto externo, com diversos países de peso relevante no comércio de carnes com o Brasil temporariamente fechando suas fronteiras para as importações de proteína brasileira. No entanto, após alguns dias, a maioria destes países suspendeu os embargos, o que arrefeceu a crise.

PIB recua 3,6% em 2016, mas há sinais de retomada este ano

O Produto Interno Bruto teve nova queda no quarto trimestre de 2016: -0,9% frente ao trimestre anterior, com contração disseminada na demanda doméstica. Do lado da oferta, a indústria e o setor de serviços recuaram, enquanto a agropecuária registrou um crescimento de 1,0% no trimestre. A queda no ano de 2016 atingiu 3,6%. Indicadores mais recentes apontam para uma recuperação moderada da atividade. Os índices de confiança registraram alta generalizada em março, com destaques para a confiança do consumidor (4,3%) e do empresário industrial (3,3%). A produção industrial permaneceu praticamente estável em janeiro frente ao mês anterior, mas os indicadores coincidentes da indústria de fevereiro já divulgados (produção de veículos, fluxo de veículos pesados nas estradas, expedição de papelão ondulado, entre outros) indicam expansão no mês. As pesquisas do setor de serviços (PMS) e do comércio (PMC) registraram resultados negativos, mas estes podem ter sido afetados por mudanças metodológicas nas séries.

O desemprego permanece em alta

A taxa de desemprego nacional atingiu 13,2% em fevereiro. Usando nosso ajuste sazonal, o desemprego subiu de 13,0% para 13,1%. Os dados de criação de emprego formal vêm melhorando nos últimos meses, mas seguem em terreno negativo, indicando que o desemprego tende a continuar subindo à frente.

A inflação consolida a tendência de queda 

A inflação do IPCA-15 ficou em 0,15% em março, resultado em linha com as expectativas. De acordo com o IBGE, esse foi o menor resultado para um mês de março desde 2009. Com isso, a taxa em 12 meses recuou para 4,73%, após ter atingido 5,02% em fevereiro. A composição da inflação segue benigna, com recuo em diversos componentes, inclusive serviços.

Déficit nas contas públicas segue elevado

O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 23,5 bilhões em fevereiro. O déficit primário acumulado em 12 meses segue estável em patamares altos (2,3% do PIB), assim como o déficit nominal (8,5% do PIB). Com isso, a dívida pública bruta subiu 0,6 p.p. a 70,6% do PIB. Os dados reforçam a necessidade de reformas destinadas a controlar a tendência altista da despesa pública.

Déficit em conta corrente estável

O déficit em conta corrente somou US$ 935 milhões em fevereiro. Acumulado em 12 meses, o déficit recuou para US$ 22,8 bilhões ou 1,2% do PIB. O déficit permanece confortavelmente financiado pelo investimento direto no país, que surpreendeu mais uma vez as expectativas, somando US$ 5,3 bilhões em fevereiro.

Ativos financeiros se desvalorizam em março

Em março, o Ibovespa caiu 4,6% em dólares e 2,5% em reais, o risco-país medido pelo CDS de cinco anos subiu 2 pbs e terminou o mês em 226 pbs. A taxa de câmbio se depreciou, atingindo 3,17 reais por dólar.

Próximos eventos

Ao longo de abril, o parecer do relator da Reforma da Previdência deve ser apresentado na Comissão Especial da Câmara dos Deputados. O julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve iniciar na terça-feira desta semana. O Comitê de Política Monetária do Banco Central se reunirá nos dias 11 e 12 de abril para decidir a taxa Selic.


 

 



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