Itaú BBA - Banco Central intensifica atuação no câmbio

Conjuntura Macro

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Banco Central intensifica atuação no câmbio

Setembro 2, 2013

O Banco Central anunciou novo programa de leilões para o mercado de câmbio.

A economia brasileira em agosto de 2013

O Banco Central anunciou novo programa de leilões para o mercado de câmbio, em que se compromete com um montante mínimo de intervenções até o final do ano. Além disso, o Banco Central elevou a taxa de juros Selic mais uma vez, para 9,0%, e sinalizou que manterá o atual ritmo de alta. A economia brasileira cresceu mais do que o esperado no segundo trimestre, mas a perspectiva à frente é de desaceleração. A inflação caiu, devido aos preços de alimentos e administrados. O déficit em conta corrente no balanço de pagamentos alcançou 3,4% do PIB, e o superávit primário nas contas públicas segue abaixo da meta para este ano. A popularidade do governo mostrou alguma recuperação.

O Banco Central anunciou novo programa de leilões para o mercado de câmbio...

Após uma depreciação mais intensa do real (que chegou a 2,45 reais por dólar), o governo anunciou no dia 22 um novo programa de leilões “com o objetivo de prover ‘hedge’ cambial aos agentes econômicos e liquidez ao mercado de câmbio”. Pelo menos até o fim do ano, haverá leilões diários de US$ 500 milhões, de segunda a quinta-feira. Nas sextas-feiras, serão leiloadas linhas com recompra no valor de US$ 1 bilhão. Se assim julgar necessário, o Banco Central fará intervenções adicionais. Esse volume equivale a uma venda de aproximadamente 35 bilhões de dólares em swaps e 18 bilhões de dólares à vista. O real se apreciou após a alteração e acabou fechando o mês em 2,37.

... e elevou os juros para 9,00%, sinalizando que manterá o ritmo de alta.

O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa de juros básica em 0,50 ponto percentual para 9,00% ao ano, como amplamente esperado. O comunicado que acompanhou a decisão foi similar ao da reunião anterior, sinalizando o objetivo do Copom de manter o ritmo de elevação de juros. A decisão reforça nossa projeção de que a taxa Selic terminará 2013 em 9,75% a.a. Esperamos uma alta adicional de 0,50 p.p. na próxima reunião do Copom e uma última alta de 0,25 p.p. em novembro.

O PIB cresceu mais do que o esperado, mas tende a desacelerar adiante.

O PIB cresceu 1,5% no segundo trimestre, após ajuste sazonal, com a agropecuária, os serviços e os impostos contribuindo para o crescimento mais alto do que projetávamos. A indústria confirmou a expectativa de forte alta e avançou 2,0% na comparação com o primeiro trimestre. Do lado da demanda, destaca-se o expressivo aumento do investimento. A formação bruta de capital fixo cresceu 3,6% no trimestre. O consumo das famílias e os gastos do governo tiveram ligeira expansão. O resultado mais alto no segundo trimestre deve elevar um pouco nossa projeção para o ano (atualmente em 2,1%). No entanto, não altera a nossa estimativa de enfraquecimento da economia no segundo semestre e a perspectiva de PIB próximo de 0% ou ligeiramente negativo no terceiro trimestre.

A inflação caiu, devido aos preços de alimentos e administrados.

O IPCA de julho foi de apenas 0,03%, reduzindo a taxa de 12 meses a 6,3% (de 6,7%). A melhora foi determinada pela menor inflação de alimentos e de preços administrados. As pressões de alta vêm dos bens industrializados, impulsionados pela desvalorização do real, e da inflação de serviços, que permanece alta devido ao mercado de trabalho ainda apertado.

O déficit em conta corrente no balanço de pagamentos alcança 3,4% do PIB...

O déficit em conta corrente voltou a aumentar em julho, após ter dado sinais de melhora no mês anterior.  Acumulado em 12 meses o déficit soma 77,8 bilhões de dólares, ou 3,4% do PIB. O déficit comercial, impulsionado pelas importações de petróleo, foi o principal fator, mas o maior déficit de serviços foi a grande fonte de surpresa. O investimento estrangeiro direto continua mostrando resiliência e soma 2,7% do PIB. Nos investimentos em portfólio, o destaque foi novamente para a entrada em renda fixa local, que continua reagindo à retirada do IOF.

... e o superávit primário nas contas públicas segue abaixo da meta para este ano.

O resultado primário recorrente acumulado em doze meses, que desconsidera receitas e despesas atípicas, está estável ao redor de 1,5% do PIB desde março. Mantemos nossa projeção em 1,7% para este ano (abaixo da meta de 2,3%), mas vemos riscos crescentes de um número menor, devido ao rápido crescimento dos gastos, às isenções fiscais, aos subsídios para o setor de energia e à desaceleração do PIB a partir do 3T13.

A popularidade do governo mostra alguma recuperação.

Segundo as pesquisas do Ibope e do Datafolha, a aprovação do governo se elevou para 36% e 38% respectivamente, após haver caído para 30-31% nas pesquisas feitas em julho. Alguma recuperação já era esperada, já que as pesquisas anteriores haviam sido realizadas em datas próximas aos protestos populares. Ainda assim, a aprovação do governo está em níveis bem abaixo dos alcançados antes das manifestações (57%).

O real se depreciou, o risco-país subiu.

A taxa de câmbio se elevou de 2,29 a 2,37 reais por dólar, tendo chegado a 2,45 reais por dólar durante o mês. O Ibovespa subiu 3,7% em reais e 0,1% em dólares. O risco-Brasil medido pelo CDS de cinco anos subiu 10,8% para 206,9 pbs.

Próximos eventos.

O mercado acompanhará com atenção os desenvolvimentos no mercado de câmbio, especialmente à medida que se aproximam as mudanças na política monetária dos Estados Unidos. O foco também estará no leilão de concessão de rodovias marcado para setembro. Adicionalmente, será relevante acompanhar as próximas pesquisas de opinião sobre a popularidade do governo.



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