Itaú BBA - Atividade moderada, queda da Selic, desvalorização do real

Conjuntura Macro

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Atividade moderada, queda da Selic, desvalorização do real

Maio 2, 2012

A atividade econômica continuou se recuperando em ritmo moderado.

A economia brasileira em abril de 2012
 

A atividade econômica continuou se recuperando em ritmo moderado. O Banco Central baixou a taxa Selic para 9,0% e aumentou a compra de dólares no mercado à vista. O investimento estrangeiro direto surpreendeu positivamente outra vez. O gasto do governo acelerou. A inflação ao consumidor subiu em abril. O mercado de capitais começou a se movimentar, enquanto as fusões e aquisições se desaceleraram, mas continuaram ativas.
 

A atividade se recupera em ritmo moderado. O PIB mensal Itaú Unibanco caiu 0,6% em fevereiro, após uma alta de 0,1% em janeiro. Esperamos que o PIB do primeiro trimestre registre crescimento de 0,8% após ajuste sazonal (ou 3,2% em termos anualizados). As condições no mercado de trabalho continuaram favoráveis, com baixo desemprego (5,7% em março, com ajuste sazonal) e salários subindo rapidamente. No entanto, novas vagas estão sendo criadas em velocidade modesta. Em março, a população ocupada não aumentou. As contratações com carteira assinada caíram para o menor nível em quatro meses. As vendas no varejo recuaram em fevereiro após um forte aumento em janeiro. A produção industrial voltou a crescer e a queda nos níveis de estoque indica que vai continuar avançando. Esperamos que o 

PIB se recupere a partir do segundo trimestre.
O Banco Central continua flexibilizando a política monetária. O BC cortou a taxa básica em 75 pontos-base para 9,0%. Para a autoridade monetária, a perspectiva é desinflacionária, por causa do cenário externo adverso e da recuperação doméstica lenta. O BC deu sinais de que pretende cortar mais a taxa Selic, mas com “parcimônia”. Portanto, esperamos uma nova redução para 8,5% em maio.
 

A inflação ao consumidor subiu em abril. O IPCA-15 teve alta de 0,43% em abril, após um avanço de 0,25% em março. O núcleo da inflação e a inflação de serviços ganharam velocidade. A média dos núcleos subiu para 0,4% (de 0,3%) e a inflação de serviços avançou para 0,7% (de 0,5%). Apesar do aumento da inflação em abril, a variação em 12 meses recuou de 5,6% para 5,3%. Projetamos IPCA de 5,1% no fim do ano, comparado a 6,5% em 2011.
 

O investimento estrangeiro direto surpreendeu positivamente outra vez. O IED atingiu US$ 5,9 bilhões em março, 86% envolvendo participações no capital, num sinal positivo. O superávit comercial chegou a US$ 2 bilhões, também um número robusto, impulsionado pela exportação de 4,2 bilhões de toneladas de soja. Como consequência, o déficit em conta corrente diminuiu para US$ 3,3 bilhões (ou 2% do PIB). No entanto, esse déficit deve se ampliar com a recuperação da demanda doméstica por bens e serviços do exterior.
 

Maior compra de dólares faz depreciar a taxa de câmbio. 

O Banco Central acelerou o ritmo de intervenções no mercado à vista. Até 27 de abril, a autoridade monetária havia comprado US$ 7,2 bilhões, contribuindo para depreciar a moeda brasileira para 1,89 real por dólar. O Ibovespa caiu 7,7% em dólares e 4,2% em moeda local. O risco-Brasil medido pelo CDS de 5 anos subiu para 123 pontos-base, de 121 um mês antes.
O gasto do governo se acelera. O setor público registrou superávit primário de R$ 10,4 bilhões em março. No acumulado do ano, o superávit chega a 4,5% do PIB, um resultado forte quando comparado ao desempenho dos últimos 10 anos. Impulsionado por investimentos e gastos correntes, o crescimento do gasto federal se acelerou para 11% na comparação anual (em termos reais). Esperamos que os gastos continuem crescendo mais do que no ano passado, dando impulso à demanda doméstica. Graças à resistência da arrecadação de impostos, no entanto, o governo deve cumprir a meta de superávit primário (3,1% do PIB). A dívida pública líquida recuou para 36,6% do PIB em março (de 37,5%), graças à depreciação do real. Como os ativos do governo em dólares são maiores do que os passivos, a desvalorização do real reduz a dívida pública.
 

O mercado de capitais começa a se movimentar. 

Apesar das condições desafiadoras no mercado, foram realizadas cinco ofertas este mês. O Banco BTG Pactual levantou $1,95 bilhão na primeira abertura de capital brasileira de um banco de investimento independente, com o preço da ação no ponto médio da faixa proposta. A locadora de veículos Locamérica captou US$ 166 milhões, enquanto a fabricante de móveis Unicasa fez uma abertura de capital de US$ 225 milhões. Ambas as ofertas saíram com preço abaixo das expectativas iniciais. Quanto a follow-ons, Fibria e Qualicorp precificaram suas ofertas com sucesso: a Fibria, maior produtora mundial de celulose, levantou quase US$ 800 milhões e o Carlyle vendeu US$ 317 milhões em ações da Qualicorp.
Enquanto as fusões e aquisições se desaceleram um pouco, mas continuam ativas. Duas transações relevantes ocorreram em abril. Numa transação de US$ 1,2 bilhão, a Ambev Brasil Bebidas SA acertou a compra de uma fatia controladora da Cervería Nacional Dominicana, a maior cervejaria da República Dominicana. A BR Properties comprou a Ventura Brasil Empreendimentos, operadora de prédios comerciais sediada em São Paulo. O acordo chegou a US$ 420 milhões.
 

Próximos eventos. 

A divulgação do PIB do primeiro trimestre está agendada para 1º de junho: nossa previsão é um aumento com ajuste sazonal de 0,8% (ou 3,2% em termos anualizados).



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