Itaú BBA - Atividade em queda e inflação em alta, mas ajuste fiscal prossegue

Conjuntura Macro

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Atividade em queda e inflação em alta, mas ajuste fiscal prossegue

Março 2, 2015

A atividade econômica se deteriora, reforçando o cenário de queda do PIB este ano

A economia brasileira em fevereiro de 2015

A atividade econômica se deteriora, reforçando o cenário de queda do PIB este ano, e há sinais mais claros de enfraquecimento do mercado de trabalho. A inflação segue pressionada por tarifas públicas (especialmente, energia elétrica) e deve superar o topo da banda da meta de inflação. O ajuste fiscal prossegue, com o anúncio de novas medidas, reafirmando o compromisso do governo de atingir a meta de superávit primário. A taxa de câmbio voltou a se depreciar, refletindo incertezas externas e domésticas. Em meio a investigações da operação Lava Jato, a Petrobras perde o grau de investimento. Cai a taxa de aprovação do governo.

Produção industrial e vendas no varejo em queda acentuada...

A produção industrial recuou 2,8% em janeiro e atingiu seu nível mais baixo desde 2009. A contração foi disseminada, com recuo em 17 de 24 setores de atividade no mês. As vendas no varejo, por sua vez, também apresentaram forte queda no mês, tanto no conceito restrito quanto no ampliado. Os resultados reforçam a tendência de intensificação da desaceleração da atividade econômica.

... e os indicadores de confiança seguem em baixa

Os índices de confiança do empresário da indústria e comércio da Fundação Getúlio Vargas (FGV) voltaram a recuar de forma pronunciada em fevereiro, sugerindo que a atividade econômica nesses setores deve continuar fraca. A confiança do consumidor também caiu, atingindo o patamar mais baixo da série histórica, iniciada em 2005.

Projetamos retração de 0,5% no PIB em 2015. Há riscos adicionais

Reduzimos nossa projeção do PIB de 0,2% para -0,5% em 2015. Os dados recentes mostram que a atividade econômica tem se deteriorado e que haverá cortes de investimentos nos setores de petróleo e infraestrutura. Há ainda riscos de racionamento de água e energia, ainda não incorporados ao nosso cenário. Estimamos que um racionamento teria um efeito adicional sobre o crescimento do PIB de -0,6 pontos percentuais, levando a projeção do ano para -1,1%.

Sinais mais claros de enfraquecimento no mercado de trabalho

A taxa de desemprego atingiu 5,3% em janeiro, mantendo a tendência de alta dos últimos meses. Na mesma direção, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho indicaram que houve contração líquida de postos de trabalho em janeiro (-81 mil postos). A fraqueza da atividade econômica deve continuar pesando sobre o mercado de trabalho nos próximos meses.

Ajuste fiscal avança, resultado de janeiro é favorável

O governo editou medida provisória que aumenta a contribuição previdenciária de empresas de 2% para 4,5% sobre o faturamento bruto. Do lado do gasto, o Ministério do Planejamento anunciou que limitará em R$ 75,1 bilhões as despesas dos ministérios em custeio e investimento até abril. As medidas reforçam o compromisso do governo de cumprir a meta de superávit fiscal de 1,2% do PIB este ano. E o ano começou bem. Em janeiro, o superávit primário consolidado alcançou R$21,1 bilhões em janeiro, resultado acima das expectativas. A principal surpresa positiva veio dos governos regionais.

Inflação elevada, pressionada por tarifas públicas. Ano deve superar o topo da banda

A inflação segue elevada neste início de ano, pressionada principalmente por tarifas públicas. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu 1,33% em fevereiro, levando a taxa em 12 meses para 7,4%. As maiores contribuições de alta vieram dos itens energia elétrica residencial, cursos regulares, combustíveis, veículo próprio e transporte público. Com base no IPCA-15 e outras informações, projetamos o IPCA de fevereiro em 1,10%, com a taxa em 12 meses atingindo 7,6%. Para o ano, projetamos o IPCA em 7,4%, acima do topo da banda de tolerância da meta do Banco Central (6,5%). Mas acreditamos no recuo da inflação em 2016 para 5,5%.

Déficit em conta corrente se acomoda, taxa de câmbio volta a se depreciar

O mês de janeiro registrou déficit em conta corrente de US$ 10,7 bilhões. Acumulado em 12 meses, o déficit recuou de US$ 91,3 bilhões para US$ 90,4 bilhões, ficando estável em 4,2% do PIB. A taxa de câmbio, no entanto, voltou a se depreciar, refletindo o fortalecimento global do dólar e as incertezas domésticas. Com alta volatilidade, a taxa cambial chegou a superar 2,90 reais por dólar.

Aprovação do governo recua de 42% para 23%, segundo pesquisa Datafolha

A pesquisa Datafolha conduzida entre os dias 3 e 5 de fevereiro mostrou queda da aprovação do governo de 42%, em dezembro, para 23%. O recuou foi generalizado entre as regiões do País. Este é o nível mais baixo desde 2001. A título de comparação, durante os protestos de junho de 2013 a aprovação do governo Dilma caiu para 30%. Durante o mensalão, em 2005, a aprovação atingiu 28%.

Petrobras ganha novo presidente e perde o grau de investimento

O governo anunciou Aldemir Bendini como novo presidente da Petrobras, no lugar de Graça Foster. Antes, Bendini ocupava a presidência do Banco do Brasil. A agência de classificação de risco Moody's rebaixou o rating de crédito corporativo da empresa em dois níveis, de Baa3 para Ba2, levando-a a perder o grau de investimento. Segundo a agência, a ação reflete a preocupação com as investigações de corrupção, atraso na divulgação do balanço auditado e aumento do endividamento da estatal.

Real depreciou 8% em fevereiro

A taxa de cambio segue a tendência de depreciação. O real caiu 8% entre janeiro e fevereiro, e terminou o mês em 2,88 reais por dólar. O Ibovespa teve ganho de 10% em reais e 1,7% em dólares. O risco-país medido pelo CDS de 5 anos subiu 16 pbs, a 243 pbs.    

Próximos eventos

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentará o pedido de abertura de inquérito ao STF com a lista de políticos envolvido nas investigações da operação Lava Jato. O congresso pode votar diversas medidas provisórias ligadas ao ajuste fiscal. Os congressistas também vão votar o orçamento para este ano. O próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central será no dia 4 de março. Devido à depreciação recente da taxa de câmbio e a pressão já elevada da inflação de curto prazo, acreditamos agora que o Copom manterá o ritmo de 0,50 p.p. de alta na taxa Selic em sua próxima reunião (antes, esperávamos uma desaceleração para 0,25 p.p.). O PIB do quarto trimestre de 2014 será divulgado em 27 de março. Esperamos crescimento zero no trimestre, com ajuste sazonal. O IBGE publicará o número em conjunto a uma revisão metodológica, que torna mais incerta a estimativa para esse trimestre.



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