Itaú BBA - À espera das eleições

Conjuntura Macro

< Voltar

À espera das eleições

Outubro 1, 2014

As atenções estão voltadas para as eleições do próximo domingo.

A economia brasileira em setembro de 2014

As atenções estão voltadas para as eleições do próximo domingo. A produção industrial e as vendas no varejo permaneceram fracas, enquanto a taxa de desemprego aumentou, mas se manteve próxima de suas mínimas históricas. A inflação veio acima do esperado e chegou a 6,6%. No seu relatório trimestral, o Banco Central enfatizou a convergência de inflação, mas a taxa de câmbio é um risco. O investimento estrangeiro direto (IED) surpreendeu positivamente. O setor público registrou déficit primário em agosto. O real se desvalorizou durante o mês.

Eleições no domingo: pesquisa mostra Dilma com 40%, Marina, 25%, e Aécio, 20%

As atenções estão voltadas para as eleições do próximo domingo. A última pesquisa Datafolha mostrou que a presidente Dilma Rousseff tem 40% nas intenções de voto, Marina Silva, 25%, e Aécio Neves, 20%. Na simulação de segundo turno, Dilma teria 49% dos votos, contra 41% de Marina. Em outra simulação, Dilma teria 50%, e Aécio Neves, 41%. As eleições também serão para governador, senador, deputado federal e deputado estadual.

Produção industrial aumenta em julho, mas nível permanece baixo

A produção industrial aumentou 0,7% em julho, interrompendo uma sequência de cinco retrações nos últimos meses. Apesar da melhora, não há uma retomada mais vigorosa do crescimento, já que não houve compensação da queda de 1,4% do mês anterior. A produção industrial permanece em um patamar abaixo da média de 2012. Para a frente, os indicadores divulgados e a herança estatística sugerem estagnação no terceiro trimestre. A produção de veículos reportada pela Anfavea, por exemplo, mostrou uma pequena reação em agosto, mas segue bem abaixo do nível registrado em 2013 (queda de 18% no ano). Apesar da produção menor, os estoques no setor continuam em níveis historicamente elevados.

Vendas no varejo abaixo do esperado

As vendas no varejo restrito recuaram 1,1% em julho, decepcionando nossas expectativas e as do consenso de mercado. No conceito ampliado (incluindo veículos e materiais de construção), o resultado foi dentro do esperado, com um aumento insuficiente para compensar o recuo do mês anterior.

Taxa de desemprego aumenta 0,4 ponto percentual de abril a agosto

O IBGE voltou a divulgar as informações da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) para todas as seis regiões metropolitanas, o que ocorreu pela última vez nos dados referentes a abril. Entre abril e agosto, o desemprego aumentou de 4,6% para 5,0%, com nosso ajuste sazonal. Ainda assim, a taxa de desemprego permanece próxima de seu nível mais baixo desde 2002. A massa salarial real permanece em desaceleração devido à fraqueza do crescimento da população ocupada.

IPCA-15 de setembro acima do esperado

O IPCA-15 subiu 0,39% em setembro, acima da nossa projeção (0,31%) e do teto das expectativas de mercado de 0,37% (com mediana em 0,35%). Com isso, a taxa em 12 meses do índice avançou de 6,49% em agosto para 6,62%. Os grupos alimentação, transportes e comunicações vieram com taxas acima do esperado, explicando o desvio em relação à nossa previsão.

Copom enfatiza convergência de inflação, mas câmbio é um risco

O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (Copom) manteve a taxa Selic em 11,0% ao ano, em linha com o esperado. Em seu Relatório de Inflação (RI) do terceiro trimestre, o Copom repetiu que “mantidas as condições monetárias — isto é, levando em conta a estratégia que não contempla redução do instrumento de política monetária —, a inflação tende a entrar em trajetória de convergência para a meta nos trimestres finais do horizonte de projeção”. As projeções contidas no RI respaldam essa análise, embora considerem uma taxa de câmbio mais apreciada do que os patamares atualmente observados no mercado. A depreciação da taxa de câmbio ora em curso pode demandar aperto adicional da política monetária.

Investimento estrangeiro direto surpreende em agosto

O fluxo de investimento estrangeiro direto (IED) somou US$ 6,8 bilhões em agosto, acima das nossas estimativas (US$ 4,3 bilhões) e do consenso do mercado (US$ 4,4 bilhões). No acumulado em 12 meses, o IED atingiu 67 bilhões, passando de 2,8% do PIB para 3% do PIB. Já o déficit em conta corrente ficou em US$ 5,5 bilhões no mês, em linha com as estimativas. Esse resultado mostrou uma pequena melhora em relação ao déficit de US$ 6 bilhões registrados em julho e veio em linha com os US$ 5,5 bilhões registrados em agosto de 2013. Acumulado em 12 meses, o déficit permaneceu estável em US$ 78,3 bilhões ou 3,5% do PIB.

O setor público registrou déficit primário em agosto

O setor público registrou um déficit primário de R$ 14,5 bilhões em agosto, apesar de ter contado com receitas de R$ 7,1 bilhões do Refis e R$ 5,4 bilhões de recolhimento de dividendos dos bancos estatais.  O superávit primário convencional acumulado em 12 meses recuou de 1,2% em julho para 0,9% do PIB em agosto, enquanto a nossa estimativa de primário recorrente caiu de 0,3% para -0,1%, tornando-se negativa pela primeira vez desde o início da série (2002).

Forte desvalorização do real

A taxa de câmbio fechou o mês de setembro em 2,45 reais por dólar, depreciação de 9,4%. O risco-país, medido pelo CDS de 5 anos, subiu 49 pontos-base, para 176 pontos-base. O Ibovespa teve queda de 11,7% em reais, e de 19,3% em dólares.

Próximos eventos

Os candidatos a presidente e governador que conseguirem mais de 50% dos votos válidos (excluindo votos nulos e em branco) se elegem no primeiro turno. Caso contrário, os dois mais votados disputarão o segundo turno, marcado para 26 de outubro.



< Voltar