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13/09/2013

Bem-estar do brasileiro continua melhorando, apesar de ritmo de crescimento

Fonte: Relações com Imprensa

studo aponta que o bem-estar do brasileiro avançou de forma importante nas últimas décadas, com alguma desaceleração observada a partir de 2008

 O resultado de 2011 e os números preliminares de 2012 sugerem continuidade do avanço moderado.
 Objetivo do Índice Itaú de Bem-Estar Social é medir a evolução do ganho de bem-estar obtido pela sociedade ao longo dos últimos anos por meio de variáveis que vão além do crescimento do PIB.

“Nossa análise histórica mostra que os maiores saltos anuais do bem-estar foram verificados entre 1993 e 1996, período marcado pelo fim da hiperinflação. Esse crescimento, no entanto, foi seguido por um período de avanços mais moderados”, explica Caio Megale, economista do Itaú Unibanco e coordenador do Índice. Segundo ele, desde 2003 o bem-estar passou a avançar de forma consistente. A partir de 2008 houve uma desaceleração na evolução das condições econômicas e humanas, que se reflete no índice agregado. De toda forma, já incluindo os resultados preliminares de 2012, a tendência de avanço - ainda que a taxas mais lentas - do bem-estar no brasileiro se manteve.

Na edição deste ano do IIBES são incorporados dados de 2011 e também é feita uma simulação com informações do ano passado. A evolução das condições de bem-estar no Brasil é fruto da estabilização da economia, das instituições mais sólidas, do avanço nos aspectos sociais e humanos. “O desafio agora é enfrentar os gargalos em infraestrutura, ampliar a visibilidade da educação e buscar mais eficiência no setor público e privado. Mas tudo isso sem deixar de lado aspectos essenciais para o bem-estar, como qualidade dos serviços públicos, preservação do meio-ambiente e uso eficiente dos recursos naturais”, explica Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco.

Com periodicidade anual, o indicador tem como modelo o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), embora seja mais amplo e customizado para buscar retratar com pertinência a realidade do Brasil. Nesta edição, foram incluídas novas variáveis para caracterizar melhor dimensões como segurança e meio ambiente.

“As medidas tradicionais de desempenho econômico, como PIB e consumo, não necessariamente refletem a evolução do bem-estar da sociedade. O Índice é uma tentativa de buscar indicadores alternativos para medir os avanços de bem-estar, qualidade de vida e felicidade das pessoas”, afirma Megale.

Estrutura
A escolha dos componentes do Índice muitas vezes acaba sendo restringida pela disponibilidade de dados. Além disso, o indicador deve ser um bom medidor do avanço do bem-estar da população como um todo, e não de um grupo social específico ou de um morador de uma determinada cidade. Por isso, o IIBES foi estruturado com base em três pilares, ou subindicadores: condições econômicas, condições humanas e igualdade social. Cada subindicador é, por sua vez, composto por variáveis que o caracterizam.

Condições Econômicas
Esse subindicador é dividido em dois blocos: consumo, que foi incluído porque o aumento do poder de compra representa uma parcela importante da qualidade de vida de uma sociedade; e emprego, que também é fundamental para o bem-estar, não apenas pela renda recebida, mas pela segurança de poder pagar as contas no fim do mês.

Condições Humanas
É dividido em quatro blocos: saúde, educação, segurança e meio ambiente. O pilar de saúde foi incluído, pois a falta de acesso a condições mínimas de higiene para prevenção de doenças e a tratamento de saúde adequado reduz o bem-estar da população. Há também um efeito indireto da saúde no bem-estar, uma vez que pessoas doentes ficam impossibilitadas de trabalhar e de ganhar salário. A inclusão de um bloco para educação dispensa motivação, especialmente no Brasil, onde anos adicionais de escolaridade trazem ganhos sensíveis de renda. O nível de segurança pública foi incluído por constituir outra grande preocupação da sociedade. Por fim, o meio ambiente é um fator relevante, à medida que crescimento acompanhado de aumento da poluição, ou ausência de acesso à rede de esgoto ou à coleta de lixo, não necessariamente melhora o bem-estar.

Desigualdade Social
Foi criado um subindicador apenas para desigualdade social, o que na prática significa aumentar a importância deste item no IIBES. Ao contrário dos outros dois subindicadores, a desigualdade social não necessariamente é uma característica que melhore diretamente o bem-estar individual. O ganho de bem-estar pode vir indiretamente, através da vida cotidiana em uma sociedade mais equânime. Nos dias de hoje, em que é elevada a preocupação com a sustentabilidade do crescimento e da melhora de vida, o aspecto da desigualdade social é particularmente importante.

Metodologia
“Coletamos dados anuais desde 1992 e normalizamos as séries para ficarem comparáveis, com valores que variem de 0 a 1. Em seguida, invertemos as séries nas quais quedas são fatos positivos, como inflação e desemprego, por exemplo. Finalmente, agregamos em médias simples em dois estágios: primeiro, dentro de cada bloco e, depois, entre os blocos. Dessa forma, consumo e emprego têm, cada um, peso de 50% no subindicador de condições econômicas. Já saúde, educação, segurança e meio ambiente têm peso de 25% dentro do subindicador de condições humanas”, finaliza Megale.

Acesse o Índice Itaú de Bem-Estar Social: http://www.itau.com.br/itaubba-pt/analises-economicas/publicacoes/macro-visao/bem-estar-do-brasileiro-seguiu-melhorando-ainda-que-a-taxas-menores


A segunda edição do Índice Itaú de Bem-Estar Social (IIBES), indicador que avalia a melhoria das condições de vida dos brasileiros, revela que nas últimas décadas o Brasil conseguiu crescer com mais distribuição de renda e melhores condições de vida. Entretanto, a partir de 2008, o avanço do bem-estar ocorre com menos intensidade, já que alguns aspectos das condições econômicas e humanas cresceram menos ou pioraram marginalmente. Essa dinâmica, inclusive, pode ser uma das explicações por trás das manifestações populares que tomaram as ruas do Brasil no meio do ano.

O IIBES revela que em 2011 houve um ganho no bem-estar na comparação com 2010 (Gráfico 6). Alguns indicadores seguem com crescimento robusto, como as taxas de encarceramento e de concluintes do ensino superior, além dos indicadores de desigualdade e o rendimento médio. O aumento do índice em 2011 (0,050) foi menor do que o observado no ano anterior (0,057) e próximo à média anual observada desde 2008 (0,056).

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