Mensagem dos Copresidentes do Conselho de Administração

Prezado leitor,

O ano de 2017 foi marcado por mudanças importantes no Brasil e no Itaú Unibanco.

Observamos sinais que indicam o início da recuperação da maior crise dos últimos 100 anos da economia brasileira, com crescimento de 1% do PIB após três anos de recessão, em um cenário de baixa inflação e menores taxas de juros. Acreditamos que o Brasil está preparado para superar as crises econômica e política, voltar a gerar empregos e a crescer em patamares sustentáveis.

A mudança no cenário econômico foi refletida em nossas operações, sendo o último trimestre de 2017 marcado pela retomada do crescimento da carteira de crédito para pessoas físicas e micro, pequenas e médias empresas. A inadimplência de nossos clientes diminuiu e, neste cenário de menor risco, nosso custo de crédito(1) reduziu-se em 29,6% em comparação a 2016. Esse fato, aliado a outras importantes conquistas, como o controle de custos operacionais, nos permitiu atingir o lucro líquido de R$ 23,9 bilhões(2), um aumento de 2,6% em relação ao ano anterior. Mantivemos o retorno recorrente sobre nosso patrimônio líquido em patamar elevado, registrando 20,1% no ano de 2017.

Esses resultados foram obtidos no primeiro ano do Candido Bracher como nosso CEO, cujo início da gestão também é destacado pelos avanços na agenda estratégica, pautada por seis frentes amplamente divulgadas ao mercado: (i) Centralidade no Cliente, (ii) Transformação Digital, (iii) Gestão de Pessoas, (iv) Gestão de Riscos, (v) Internacionalização e (vi) Rentabilidade Sustentável. Acreditamos que as três primeiras precisam passar por transformações profundas dentro da organização ao longo dos próximos anos e as três últimas compõem a melhoria contínua. Cabe frisar que Governança Corporativa e Sustentabilidade permeiam todos esses esforços.

Temos a convicção de que nossos objetivos não podem ser alcançados sem que enfatizemos a gestão de pessoas, pois é nelas que reside o grande poder de transformação, são elas que nos fazem evoluir, garantem resultados sustentáveis e tornam concreta a nossa capacidade de gerar valor para a sociedade e o país. Assim, temos o desafio de ser cada vez mais atraentes para todas as gerações e engajar, desenvolver e reter talentos. Por isso, investimos consistentemente na divulgação do nosso propósito e do que chamamos de Nosso Jeito, uma cultura forte, pautada pela colaboração, ética e respeito total e irrestrito.

No Conselho de Administração tomamos importantes decisões no ano de 2017, definindo diretrizes estratégicas para o Itaú Unibanco, das quais destacamos o apetite de riscos. Definimos também uma nova prática para distribuição de resultados (payout), segundo a qual temos o objetivo de manter nosso índice de CET1(3) em 13,5%, distribuindo todo o montante excedente. Assim, com base no crescimento dos nossos ativos ponderados pelo risco (RWA) e retorno sobre o patrimônio, distribuímos em 2017 o equivalente a 83% do nosso lucro líquido recorrente(4), incluindo as recompras de ações que realizamos, valor recorde em nossa história. Essa distribuição foi possível também porque emitimos, pela primeira vez, títulos perpétuos que comporão nosso capital principal, reduzindo nosso custo de capital e favorecendo a geração de valor para nossos acionistas.

Continuamos a evoluir em nossas práticas de governança corporativa, adaptando-as ao novo contexto de negócios. Assim, em 2017 criamos o Digital Advisory Board, que passou a ter um papel importante de propor desenvolvimento tecnológico, avaliar a experiência dos clientes e nos permitir acompanhar tendências mundiais. Ana Lúcia de Mattos Barretto Villela passará a compor o Conselho de Administração, trazendo um novo olhar sobre nossa gestão, além de refletir nosso compromisso cada vez maior em garantir a diversidade na organização.

Por fim, queremos convidá-los à leitura deste Relatório Anual Consolidado. Destacamos as seções “Nossa governança” e “Nossa gestão de riscos”, que foram reformuladas em comparação às últimas edições e apresentam as informações de forma mais objetiva, de fácil entendimento e organizadas.

Cordialmente,

Roberto Setubal 
Pedro Moreira Salles
Copresidentes do Conselho de Administração

(1) De acordo com as normas estabelecidas pelo Bacen – BRGAAP.
(2) Lucro líquido atribuível aos acionistas controladores, em IFRS.
(3) Common Equity Tier I (Capital Principal).
(4) O payout considera o lucro líquido recorrente apurado segundo as normas estabelecidas pelo Bacen – BRGAAP.