História do Itaú


Situação Histórica
1951
1952
1954
1955
1956
1959

Situação Histórica

Após o período de afastamento, Getúlio Vargas foi reeleito presidente em 1950. Retomando as idéias desenvolvidas durante o Estado Novo, o governo promoveu diversas medidas destinadas a incentivar o desenvolvimento econômico, com ênfase na industrialização. A plataforma do governo refletia a tendência dos anos anteriores, com planos de industrialização reforçados por um novo caráter nacionalista. Segundo o governo, era preciso dotar o Brasil da infra-estrutura necessária para a expansão industrial. Para isso, seriam necessários investimentos públicos no sistema de transporte e energia. Essa foi a tônica da década. Assim foram criados o BNDE - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico - e a Petrobrás.

Por outro lado, o governo precisava conter a inflação que voltou a subir após o final da Guerra, acompanhando a onda de importações que se seguiu à liberdade cambial do início do Governo Dutra. A criação do BNDE supriu em parte pelas necessidades de financiamento para a atividade industrial, principalmente das siderúrgicas, e de implantação de infra-estrutura, predominando os investimentos no setor de energia e transporte. Grande parte dos recursos do BNDE eram provenientes do exterior, destacando-se a presença de capitais norte-americanos. Em 1956, após um período de instabilidade política, provocada pela crise que culminou com o suicídio de Getúlio Vargas em 1954, tomou posse o presidente Juscelino Kubitscheck, à frente de um projeto desenvolvimentista que pregava "50 anos em 5" - desenvolvimento de 50 anos em cinco anos de governo.

Desde o início de seu governo, Juscelino implantou o Plano Nacional de Desenvolvimento, conhecido como Plano de Metas, privilegiando setores de indústria de base, transportes e energia, além de bens de consumo. O plano conseguiu promover uma rápida expansão da base industrial do país, que cresceu 80% nesse período. O estado de São Paulo estava na dianteira desse desenvolvimento, com a região do ABC paulista despontando como o principal centro da nova fase. Ali se instalaram as empresas produtoras de bens de consumo duráveis, principalmente as montadoras de automóveis, em geral multinacionais, e as fornecedoras de autopeças.

A obtenção de recursos para financiar a industrialização foi garantida pelo ingresso maciço de investimentos da iniciativa privada estrangeira, que foi atraída com a ampliação dos serviços de infra-estrutura. Para promover o desenvolvimento do Nordeste, que vivia um momento de muitas reivindicações sociais, o governo criou a SUDENE (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste). No final de seu governo, como coroamento de seu projeto de desenvolvimento, Juscelino Kubitschek inaugurou Brasília (21.4.1960), a nova capital do país, cidade planejada pelos arquitetos Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. A idéia de transferir a capital do Rio de Janeiro para a região Centro-Oeste vinha desde o início da República e tinha como objetivo ampliar a integração do território e promover o desenvolvimento do interior do país. Todavia, o período de desenvolvimento econômico trouxe como conseqüência o desequilíbrio das contas públicas e a alta da inflação.

Enquanto isso, o financiamento estatal do desenvolvimento ocorreu desde 1953, com a Instrução nº 70 da Superintendência da Moeda e do Crédito (SUMOC), que introduziu o chamado confisco cambial, fixando um valor mais baixo para o dólar recebido pelos exportadores de café. Com isso, o governo ficava com uma parte dos dólares obtidos pela exportação do café, para financiar projetos de outros setores econômicos. Após o suicídio de Getúlio Vargas, a ausência de uma liderança e as ameaças de golpe levaram agitação ao mercado, promovendo um ritmo desenfreado de saques, que a Carteira de Redescontos nem sempre pôde responder. Nessa época, as instituições de pequeno porte, menos sólidas, sofreram intervenção extrajudicial e muitas foram liquidadas. Durante a década de 50, os principais problemas do sistema financeiro, na verdade, eram estruturais, em desacordo com as novas ambições nacionais de desenvolvimento. Não existiam instituições que captassem recursos para a concessão de financiamentos em longo prazo. A Resolução 113 da Sumoc fez com que a participação do capital estrangeiro no desenvolvimento industrial também passasse a ser direta, sob a forma de equipamentos importados para instalação nas novas indústrias, sem cobertura cambial.

Porém, o aumento da produção de veículos e eletrodomésticos precisava ser acompanhado por um aumento real de demanda - era necessário fomentar o crédito direto ao consumidor e o sistema financeiro não tinha como responder à nova exigência do mercado. Apenas no final da década surgiram as primeiras Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento, que, na época, financiavam fundamentalmente o consumo de bens duráveis.