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Política
As eleições de 2006 transcorreram dentro da normalidade institucional.
As pesquisas de opinião mostraram consistentemente a vantagem do presidente Lula sobre seu maior
opositor, Geraldo Alckmin, do PSDB. Em junho, Lula tinha 46% das intenções de voto, enquanto Alckmin,
31%. Antes da eleição, as preferências pelo candidato Lula tinham caído para 43% e as de Alckmin
tinham subido para 33%. A eleição teve de ser resolvida em segundo turno. Entretanto, no segundo
turno, Lula foi eleito com 61% dos votos válidos e Alckmin ficou com 39%.
O presidente eleito
obteve também uma base de apoio maior que a conquistada no primeiro mandato. O PMDB ficou com a
maior bancada na câmara (93 deputados) e o maior número de governantes eleitos, de maneira que o
quadro eleitoral mudou. O governo, depois de eleito, passou a trabalhar para conseguir o apoio do
PMDB. Com uma base de apoio maior, existe a possibilidade de que algumas reformas propostas pelo
governo venham a ser aprovadas no Congresso.
A reeleição do presidente Lula e a garantia de
continuidade das políticas por ele adotadas asseguraram a estabilidade nos mercados após a eleição.
Economia
No cenário econômico, o balanço de 2006 é positivo. O poder de compra do salário
mínimo cresceu 33%. E se, antes, segundo a antiga metodologia de cálculo do ritmo da atividade
econômica, o PIB nacional (a soma de todas as riquezas produzidas no país) fechava o ano com fraco
desempenho (2,9%), na revisão do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -, anunciada
no final de março de 2007, a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro saltou para
3,7%.
Três atividades, que respondem por 47,9% do setor de serviços, foram as principais
responsáveis pelo forte ajuste no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da série antiga para
a nova: financeiros, administração pública e aluguéis. O setor de serviços, que ganhou peso maior
e já responde por 64% da economia, avançou 3,7% e foi um dos principais responsáveis pela expansão
mais forte da economia em 2006 na nova série do PIB. Isso ocorreu por conta dos ajustes
metodológicos, que revelaram crescimentos maiores do que os apurados anteriormente em serviços
financeiros (6,1%), aluguel (4,3%) e administração pública (3,1%).
Na média anual do
primeiro governo do presidente Lula (2003-2006), o crescimento da economia ficou em 3,4%, mais
do que os 2,7% antes da revisão metodológica, e maior do que os 2,3% de 2005. O resultado se deve
à forte recuperação da economia no quarto trimestre do ano, comandada pelos investimentos, pelo
consumo das famílias e pela indústria.
Por outro lado, o dólar barato, cuja cotação atingiu
R$ 2,1380 ao final de dezembro de 2006 (ante R$ 2,3407 na mesma data do ano anterior),
derrubou a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor), que chegou no final
do ano em 3,14%, abaixo do centro da meta. O controle da inflação foi um dos argumentos para
reduzir a taxa de juros.
O juro básico da economia (taxa Selic) teve redução de 4,75
pontos percentuais no ano e terminou 2006 em seu patamar nominal mais baixo, 13,25% a.a.,
ainda assim um dos mais altos do mundo.
A boa surpresa ficou por conta do risco-Brasil
(que mede diariamente o grau de confiança dos investidores estrangeiros no pagamento ou no
resgate de títulos da dívida brasileira), que fechou o ano financeiro abaixo dos 200 pontos
(pela terceira vez), confirmando todos os prognósticos que mostram o país caminhando para uma
condição de "investment grade" (grau de investimento), capaz de atrair investimentos estrangeiros.
A taxa de investimento melhorou em 2006 em comparação com a taxa de 2005, atingindo 16,8%,
enquanto em 2005 alcançou apenas 16%. Mesmo assim, essa taxa continua muito baixa para padrões
internacionais. A recuperação do investimento vem acontecendo graças à elevação dos níveis de
renda, aos juros menores praticados em 2006 e à valorização do real que vem reduzindo o custo
dos bens de capital importados.
O país, em 2006, chegou à auto-suficiência em petróleo.
A Petrobras, referência internacional na exploração de petróleo em águas profundas, tornou-se,
em 2006, auto-suficiente na produção de petróleo, com o início de produção da plataforma P-50,
no Campo de Albacora Leste, na Bacia de Campos. Mas nem tudo foram flores no caminho da estatal,
que teve de enfrentar alguns percalços na Bolívia, com suas refinarias confiscadas pelo governo.
Já a Vale do Rio Doce realizou um grande negócio, ao comprar a mineradora canadense Inco,
tornando-se assim a segunda empresa mineradora do mundo.
No mercado imobiliário, 2006 foi o
melhor ano em quase duas décadas, segundo a Abecip - Associação Brasileira de Entidades de Crédito
Imobiliário e Poupança. O crédito imobiliário praticamente dobrou em 2006, atingindo R$ 9,5 bilhões.
E as razões do crescimento desse mercado, segundo os bancos, foram a redução da taxa de juros
básica (Selic), maior segurança jurídica e crescimento da massa salarial.
Entre as medidas
baixadas pelo governo no ano passado, estão a redução do IPI de vários materiais de construção, o
financiamento com prestações fixas para imóveis até 350 mil reais e o crédito consignado para
aquisição de moradia.
Em 2006, foram financiadas cerca de 522 mil unidades habitacionais,
com recursos do FGTS e da caderneta de poupança, com um volume de financiamentos de R$ 17,7 bilhões.
Foi a primeira vez que se superou 100 mil unidades desde 1988 com recursos da poupança.
A flexibilização da política monetária e a elevação da massa real de
salários levaram a demanda interna a influenciar o nível de atividade. Investimento e consumo
aumentaram mais que o PIB, com reflexos significativos nas atividades de crédito.
Com o
aumento do crédito, houve expansão das captações do setor bancário e, ao mesmo tempo, da
inadimplência.
Mercado Financeiro
O ano de 2006 foi marcado pela animação dos investidores em relação à economia
brasileira. Embora fraco, o crescimento da economia e o vigoroso aumento do crédito, com ênfase na
expansão das carteiras ao consumidor e à pessoa jurídica, foram os motores dos resultados positivos
do setor financeiro.
O crescimento do crédito com recursos livres permaneceu significativo
em 2006 (23,6%). Como resultado, o crédito total do sistema financeiro atingiu, em dezembro, 34,3%
do PIB.
Todavia, com a expansão do crédito, veio a elevação da inadimplência, no âmbito
tanto das pessoas físicas quanto das pessoas jurídicas. Os percentuais registrados foram maiores
em relação a 2005.
O mercado de capitais apresentou grande dinamismo, com crescimento
elevado nas captações. A captação da caderneta também cresceu: o resultado líquido do ano foi
de R$ 4,9 bilhões.
Bons ventos bateram no mercado de ações: a Bovespa registrou recorde
de alta. Em 2006, o Ibovespa acumulou alta de 32,9%, o que fez da Bolsa a aplicação mais
rentável do ano, após superar por 29 vezes suas máximas históricas de pontuação, encerrando o
mês de dezembro com 44.473 mil pontos.
Também esteve em alta em 2006, no mercado financeiro,
a onda de compras e fusões. Dois dos maiores bancos fizeram suas opções: o Itaú adquiriu o Bank
Boston e o Bradesco, a operadora de cartões American Express.
A significativa queda
das taxas de juros na economia brasileira, principalmente nos últimos meses do ano, e o
aumento da volatilidade mandaram uma mensagem ao mercado, sinalizando mudanças de oportunidades
nos investimentos para o início de 2007.
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