História do Itaú


Situação Histórica
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008

Situação Histórica
 2002 - 2005
 2006
 2007
 2008

Política

As eleições de 2006 transcorreram dentro da normalidade institucional. As pesquisas de opinião mostraram consistentemente a vantagem do presidente Lula sobre seu maior opositor, Geraldo Alckmin, do PSDB. Em junho, Lula tinha 46% das intenções de voto, enquanto Alckmin, 31%. Antes da eleição, as preferências pelo candidato Lula tinham caído para 43% e as de Alckmin tinham subido para 33%. A eleição teve de ser resolvida em segundo turno. Entretanto, no segundo turno, Lula foi eleito com 61% dos votos válidos e Alckmin ficou com 39%.

O presidente eleito obteve também uma base de apoio maior que a conquistada no primeiro mandato. O PMDB ficou com a maior bancada na câmara (93 deputados) e o maior número de governantes eleitos, de maneira que o quadro eleitoral mudou. O governo, depois de eleito, passou a trabalhar para conseguir o apoio do PMDB. Com uma base de apoio maior, existe a possibilidade de que algumas reformas propostas pelo governo venham a ser aprovadas no Congresso.

A reeleição do presidente Lula e a garantia de continuidade das políticas por ele adotadas asseguraram a estabilidade nos mercados após a eleição.

Economia

No cenário econômico, o balanço de 2006 é positivo. O poder de compra do salário mínimo cresceu 33%. E se, antes, segundo a antiga metodologia de cálculo do ritmo da atividade econômica, o PIB nacional (a soma de todas as riquezas produzidas no país) fechava o ano com fraco desempenho (2,9%), na revisão do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -, anunciada no final de março de 2007, a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro saltou para 3,7%.

Três atividades, que respondem por 47,9% do setor de serviços, foram as principais responsáveis pelo forte ajuste no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da série antiga para a nova: financeiros, administração pública e aluguéis. O setor de serviços, que ganhou peso maior e já responde por 64% da economia, avançou 3,7% e foi um dos principais responsáveis pela expansão mais forte da economia em 2006 na nova série do PIB. Isso ocorreu por conta dos ajustes metodológicos, que revelaram crescimentos maiores do que os apurados anteriormente em serviços financeiros (6,1%), aluguel (4,3%) e administração pública (3,1%).

Na média anual do primeiro governo do presidente Lula (2003-2006), o crescimento da economia ficou em 3,4%, mais do que os 2,7% antes da revisão metodológica, e maior do que os 2,3% de 2005. O resultado se deve à forte recuperação da economia no quarto trimestre do ano, comandada pelos investimentos, pelo consumo das famílias e pela indústria.

Por outro lado, o dólar barato, cuja cotação atingiu R$ 2,1380 ao final de dezembro de 2006 (ante R$ 2,3407 na mesma data do ano anterior), derrubou a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor), que chegou no final do ano em 3,14%, abaixo do centro da meta. O controle da inflação foi um dos argumentos para reduzir a taxa de juros.

O juro básico da economia (taxa Selic) teve redução de 4,75 pontos percentuais no ano e terminou 2006 em seu patamar nominal mais baixo, 13,25% a.a., ainda assim um dos mais altos do mundo.

A boa surpresa ficou por conta do risco-Brasil (que mede diariamente o grau de confiança dos investidores estrangeiros no pagamento ou no resgate de títulos da dívida brasileira), que fechou o ano financeiro abaixo dos 200 pontos (pela terceira vez), confirmando todos os prognósticos que mostram o país caminhando para uma condição de "investment grade" (grau de investimento), capaz de atrair investimentos estrangeiros.

A taxa de investimento melhorou em 2006 em comparação com a taxa de 2005, atingindo 16,8%, enquanto em 2005 alcançou apenas 16%. Mesmo assim, essa taxa continua muito baixa para padrões internacionais. A recuperação do investimento vem acontecendo graças à elevação dos níveis de renda, aos juros menores praticados em 2006 e à valorização do real que vem reduzindo o custo dos bens de capital importados.

O país, em 2006, chegou à auto-suficiência em petróleo. A Petrobras, referência internacional na exploração de petróleo em águas profundas, tornou-se, em 2006, auto-suficiente na produção de petróleo, com o início de produção da plataforma P-50, no Campo de Albacora Leste, na Bacia de Campos. Mas nem tudo foram flores no caminho da estatal, que teve de enfrentar alguns percalços na Bolívia, com suas refinarias confiscadas pelo governo.

Já a Vale do Rio Doce realizou um grande negócio, ao comprar a mineradora canadense Inco, tornando-se assim a segunda empresa mineradora do mundo.

No mercado imobiliário, 2006 foi o melhor ano em quase duas décadas, segundo a Abecip - Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança. O crédito imobiliário praticamente dobrou em 2006, atingindo R$ 9,5 bilhões. E as razões do crescimento desse mercado, segundo os bancos, foram a redução da taxa de juros básica (Selic), maior segurança jurídica e crescimento da massa salarial.

Entre as medidas baixadas pelo governo no ano passado, estão a redução do IPI de vários materiais de construção, o financiamento com prestações fixas para imóveis até 350 mil reais e o crédito consignado para aquisição de moradia.

Em 2006, foram financiadas cerca de 522 mil unidades habitacionais, com recursos do FGTS e da caderneta de poupança, com um volume de financiamentos de R$ 17,7 bilhões. Foi a primeira vez que se superou 100 mil unidades desde 1988 com recursos da poupança.

 
Unidades Financiadas
Volume (R$ bi)
Poupança
113.873,00
9,34
FGTS
407.912,00
8,35
Total
521.785,00
17,69


A flexibilização da política monetária e a elevação da massa real de salários levaram a demanda interna a influenciar o nível de atividade. Investimento e consumo aumentaram mais que o PIB, com reflexos significativos nas atividades de crédito.

Com o aumento do crédito, houve expansão das captações do setor bancário e, ao mesmo tempo, da inadimplência.

Mercado Financeiro

O ano de 2006 foi marcado pela animação dos investidores em relação à economia brasileira. Embora fraco, o crescimento da economia e o vigoroso aumento do crédito, com ênfase na expansão das carteiras ao consumidor e à pessoa jurídica, foram os motores dos resultados positivos do setor financeiro.

O crescimento do crédito com recursos livres permaneceu significativo em 2006 (23,6%). Como resultado, o crédito total do sistema financeiro atingiu, em dezembro, 34,3% do PIB.

Todavia, com a expansão do crédito, veio a elevação da inadimplência, no âmbito tanto das pessoas físicas quanto das pessoas jurídicas. Os percentuais registrados foram maiores em relação a 2005.

O mercado de capitais apresentou grande dinamismo, com crescimento elevado nas captações. A captação da caderneta também cresceu: o resultado líquido do ano foi de R$ 4,9 bilhões.

Bons ventos bateram no mercado de ações: a Bovespa registrou recorde de alta. Em 2006, o Ibovespa acumulou alta de 32,9%, o que fez da Bolsa a aplicação mais rentável do ano, após superar por 29 vezes suas máximas históricas de pontuação, encerrando o mês de dezembro com 44.473 mil pontos.

Também esteve em alta em 2006, no mercado financeiro, a onda de compras e fusões. Dois dos maiores bancos fizeram suas opções: o Itaú adquiriu o Bank Boston e o Bradesco, a operadora de cartões American Express.

A significativa queda das taxas de juros na economia brasileira, principalmente nos últimos meses do ano, e o aumento da volatilidade mandaram uma mensagem ao mercado, sinalizando mudanças de oportunidades nos investimentos para o início de 2007.